Em 4 de outubro é comemorado o Dia da Medicina do Trabalho, especialidade médica que luta pelo trabalho saudável, seguro e digno para todos os trabalhadores. A data é marcada pelo nascimento do médico italiano Bernardino Ramazzini, autor do livro As Doenças dos Trabalhadores, publicado em 1700, e por isso, considerado o pai da especialidade.
Ramazzini trouxe várias contribuições para a Medicina do Trabalho, dentre as quais podemos destacar (1) a preocupação e o compromisso com a classe trabalhadora; (2) o estabelecimento dos elementos básicos da determinação social da doença; (3) a contribuição de uma nova metodologia que incluía visitas aos locais de trabalho, observação das atividades e entrevistas com os trabalhadores; e (4) a proposta de uma sistematização e classificação de doenças, de acordo com a natureza do trabalho.
Quatro séculos depois, a luta e a vontade de transformar o trabalho continuam e a atuação dos Médicos do Trabalho precisa se adaptar para lidar com novos desafios que convivem com antigos dilemas não totalmente resolvidos. A presidente da ANAMT, Dra. Marcia Bandini, ressalta a necessidade de modernização do papel desse profissional. “Em uma sociedade onde as pessoas passam mais tempo no trabalho do que nas suas próprias casas, é muito importante que exista cuidado integral com a saúde dos trabalhadores. Este, talvez, seja o maior desafio do exercício profissional dos Médicos do Trabalho, que aperfeiçoam constantemente suas competências, habilidades e atitudes considerando este momento de mudanças”.
Conscientização constante
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 2,34 milhões de pessoas morrem a cada ano em acidentes de trabalho e doenças. Desse total, cerca de 2 milhões seriam causadas por doenças relacionadas ao trabalho.
O diretor de Divulgação, Dr. Gualter Maia, lembra que informações do Anuário Estatístico da Previdência Social mostram que no ano de 2013, no Brasil, foram 717.911 acidentes no total, 2.814 óbitos e 16.121 incapacidades permanentes. Mais importante é a necessidade de enfrentarmos a subnotificação. O AEPS mostra que apenas uma em cada dez doenças relacionadas ao trabalho foram reconhecidas através da emissão de CATs – Comunicação de Acidente do Trabalho.
Além disso, “é relevante a perda de produtividade nas empresas pelo afastamentos de acidentados, estatísticas que representam um alto custo para a sociedade. Uma gestão cuidadosa a saúde e segurança a àqueles que estão nos locais de trabalho proporcionam maior segurança e menos adoecimento”, observa Dr. Gualter.
Ao longo dos anos, a ANAMT tem se empenhado com ações de segurança e saúde no trabalho, principalmente com a busca pela evolução da especialidade junto com as alterações do mercado de trabalho, o que se reflete em iniciativas como a revisão das Competências Requeridas para o Exercício da Medicina do Trabalho, apresentado em maio deste ano, e as mudanças na Prova de Título de Especialista, que será aplicada em 14 de novembro, em São Paulo (SP). Ainda temos muito o que construir. Participe dessa caminhada.
Fonte: Revista Proteção





