O delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pela investigação do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), afirmou que o gás cianeto já aparece em diversas vítimas da tragédia, segundo amostras analisadas pelo IGP (Instituto Geral de Perícias). O incêndio, que deixou 239 mortos, completa um mês nesta quarta-feira (27).

A confirmação de que algumas mortes possam ter sido causadas pelo cianeto pode complicar ainda mais a situação dos sócios da boate Kiss, já que o gás foi liberado pela queima do poliuretano presente na espuma isolante que revestia o teto do local.
Nesta terça-feira (26), o promotor Joel Dutra afirmou que irá denunciar os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e os músicos da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos –os quatros presos–, por homicídio doloso (em que há intenção de matar) qualificado.
Segundo Meinerz, para atestar que o cianeto de fato seja o causador das mortes na casa noturna é necessário o laudo de um legista para cada uma das mais de 200 vítimas. Os documentos estarão presentes no laudo final do IGP. A Polícia aguarda apenas o laudo do instituto para concluir o inquérito.

No entanto, mais cedo, o delegado Marcelo Arigony, que preside o inquérito, disse que o laudo ainda deve levar de dez a 15 dias para ser entregue à Polícia Civil de Santa Maria. Com a demora, os agentes estudam pedir o adiamento do prazo para a entrega do inquérito, que termina no próximo domingo, 3 de março.
Meinerz e Arigony passaram o dia de ontem conversando com técnicos do IGP, em Porto Alegre. O cianeto é altamente tóxico e age em poucos instantes no organismo.

Na sexta-feira (1º), os delegados irão se reunir para definir se devem pedir o adiamento do prazo, se desmembram o inquérito em dois e se pedem a prisão preventiva dos sócios da Kiss e dos músicos da banda Gurizada Fandangueira.

Atualmente, os quatro estão detidos temporariamente na Penitenciária Estadual de Santa Maria por uma decisão da Justiça. O prazo dessa prisão temporária, porém, expira também no dia 3 de março.

Para Meinerz, o pedido de prisão preventiva deve ser analisado com cuidado pois pode ser “um tiro no pé”, já que, antes do fim do inquérito, a preventiva vale por apenas dez dias. Após esse período, os detidos devem ser soltos.

“Sexta-feira será o dia em que vamos ponderar tudo”, afirmou Meinerz.

Fonte: Uol – Notícias

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