Constitui prática comum, após a ocorrência de um acidente, profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho saírem em busca de culpado(s) pelos erros cometidos pelos trabalhadores e superiores hierárquicos por infringirem procedimentos e regras e/ou por falhas técnicas. Nessa busca usa-se como “ferramenta de investigação de acidente” comparar as prescrições de como a tarefa teoricamente deveria ser feita (protocolos, normas, procedimentos operacionais padrão, regras) com a forma como ela de fato estava acontecendo. As “desobediências e não-conformidades” encontradas são então tidas como “causas do acidente”.

As análises do acidente apresentam ainda, implicitamente ou não, na sua forma de condução, tentativas de aliviar a responsabilidade da equipe de SST pela ocorrência, muitas vezes, por meio da indicação do “ato inseguro” cometido pela vítima. Uma vez encontrado o culpado ou a falha técnica, a missão é dada como encerrada com algumas sugestões no campo do fortalecimento do comportamento seguro, do reforço da regra a ser seguida, da substituição ou reparação do equipamento que falhou, entre outras ações, sob a crença de que o problema foi resolvido.

 

Fonte:  Revista Proteção

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