Organizado pela Cissp, curso possibilitará a construção de um documento.

O II Curso de Formação para os Membros da Comissão Interna de Saúde do Servidor Público – Cissp – Fundacentro e Interlocutores ocorreu entre os dias 14 e 17 de maio em São Paulo/SP, reunindo servidores das diferentes unidades da instituição pelo Brasil. Além de socializar informações sobre Segurança e Saúde no Trabalho – SST, o evento se caracterizou como um momento de reflexão sobre a atividade de trabalho e as dificuldades enfrentadas por cada um nas diferenças entre o trabalho real e o trabalho prescrito. Também houve a participação de 2 funcionários terceirizados.

Os servidores e contratados debateram os pontos fortes e fracos da instituição para construir um documento para a gestão. A ideia é mostrar quais desafios precisam ser vencidos para uma melhor atuação da Fundacentro e para que os servidores tenham boas condições de trabalho e de saúde. Eles ainda receberam formação sobre a história da segurança e saúde do trabalhador, formas de violência no trabalho, transtornos mentais, carreira de ciência e tecnologia e métodos de intervenção.

A médica e doutora em Saúde Pública, Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, falou aos participantes sobre as transformações no mundo do trabalho ao longo da história, destacando a intensificação e precarização do trabalho do cenário atual. Outra crítica foi ao fato de que os médicos são treinados para ver a ocultação do trabalho no adoecimento. Nesse cenário, há um discurso centrado na culpabilização do indivíduo. A saída deve ser coletiva.

“Quando a gente tem coletivo, quando a gente se une, a gente consegue ter resiliência. Agora a resiliência entendida pelas empresas e pelas pessoas é a força está em mim. Isso não é verdade. A força está em nós”, afirma Maria Maeno.

A psicóloga e mestre em Psicologia da Saúde, Eliana Pintor, do Cerest, abordou as violências no mundo do trabalho, que vão além dos casos de assédio moral. A violência psicológica, por exemplo, pode se manifestar fisicamente através de uma gastrite, uma dor de cabeça, entre outros, e com manifestações psíquicas como isolamento, baixa autoestima, etc..

Há uma lógica para que produzamos cada vez mais. Os trabalhadores sempre têm muito a fazer com uma lista de atividades ou metas que não tem fim. Já em relação ao assédio moral, deve-se considerar sua perspectiva organizacional e se estimular o fortalecimento dos laços de solidariedade entre os colegas. É importante que a vítima saiba que não está sozinha.

O engenheiro e doutor em Ergonomia, Marçal Jackson Filho, pesquisador da Fundacentro da Baixada Santista, levou os servidores a refletirem sobre um mapeamento coletivo dos aspectos de saúde e de ergonomia vivenciados na instituição. É importante que a área de Recursos Humanos tenha os registros sobre saúde, onde as pessoas se encontram e suas competências. Os servidores falaram sobre a importância do poder de agir, do fortalecimento do coletivo e de que as informações não fiquem fragmentadas.

Outro palestrante foi o servidor Dalton Cusciano, mestre em Direito, que fez uma análise da carreira de ciência e tecnologia, da qual a Fundacentro faz parte. “O contexto recente é de perda remuneratória, de estrutura e de servidores em todas as instituições das carreiras de C&T, o que traz prejuízo ao desenvolvimento econômico e tecnológico do país”, aponta.

Nesse cenário, uma atuação multidisciplinar da instituição e de seus servidores é fundamental para cumprir sua missão institucional de produção de conhecimentos voltados para a saúde e segurança dos trabalhadores. “A discussão das atribuições dos servidores com fixação de limites de atuação é secundária diante de um quadro funcional inferior a metade do previsto pelo Ministério do Planejamento e das diretrizes legais que orientam as carreiras”, conclui Cusciano.

Os membros da Cissp – Cristiane Queiroz, Daniela Tavares, Eliane Loeff, Hélio Batista, Juliana Oliveira, Marcelo de Vasconcelos e Roseclair de Campos – também falaram sobre o trabalho que realizaram a frente da Comissão. “O desafio foi buscar essa identidade e criar esse espaço de compartilhamento, criando um canal em que as pessoas não tenham medo de se pronunciar”, explica Vasconcelos.

Cristiane Queiroz destaca que para criar esse ambiente de confiança buscaram desenvolver o acolhimento e formas de encaminhamento que preservassem as pessoas. “Antes da Cissp, estávamos muito solitários. Foi uma riqueza muito grande as pessoas terem uma confibialidade. É um canal que devemos preservar”, completa Eliane Loeff.

O curso ainda contou com aulas da psicóloga Renata Paparelli, doutora em Psicologia Social e professora da PUC-SP, que falou sobre transtornos mentais decorrentes do trabalho, e Liliana de Lima, psicóloga e professora da PUC-Campinas, que abordou métodos de intervenção.

 

Fonte: Fundacentro

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