Maior produtora de proteína animal do mundo, a JBS é também um exemplo do descumprimento das normas de segurança e do descaso com trabalhadores que se acidentam ou adoecem. Em entrevista ao Podprevenir, o jornalista Piero Locatelli, da ong Repórter Brasil, conta que, da fazenda ao curtume,  trabalhadores ligados à empresa queixam-se do desrespeito a direitos básicos em todas as etapas da indústria da carne.

De acordo com Locatelli, a mesma situação foi verificada em quatro estados percorridos pelo jornalista: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ao Podprevenir, ele comenta o caso da trabalhadora de um frigorífico da JBS que ficou incapacitada para a atividade laboral por carregar excesso de peso em jornadas excessivas. Em outro depoimento, o funcionário de um dos curtumes da empresa relata que teve a mão triturada em um equipamento, mesmo tendo avisado o supervisor que a máquina não estava operando normalmente. Nos dois casos, Locatelli explica que os funcionários disseram que não receberam apoio da JBS, embora a empresa tenha alegado o contrário.

“Existe de fato uma constante entre diversos trabalhadores que afirmam que tiveram problemas de saúde, principalmente lesões por esforços repetitivos, devido à forma como está estruturado o trabalho nos frigoríficos”, comenta o jornalista. Ainda este ano, um dos frigoríficos do grupo, em Santa Catarina, teve de pagar R$ 12 milhões por tempo de trabalho excessivo na unidade. E outro no Mato Grosso foi autuado por descumprir normas de segurança.

Locatelli lembra que houve uma melhora no setor, de modo geral, depois da criação da NR-36, em 2013, norma que estabelece os requisitos mínimos para a avaliação, controle e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de abate e processamento de carnes. “Mas ainda existem muitos problemas na atividade e é espantoso constatar que uma empresa do porte da JBS não consiga oferecer um ambiente de trabalho seguro”, afirma o jornalista.

 

Fonte: Revista Proteção

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